Restos de carne, gordura e até ossos que iriam para o lixo viram ração para outros animais no ES

Restos de carne se transformam em alimentos para animais em fazendas no ES O que para muitos é considerado apenas descarte, para o setor de reciclagem animal ...

Restos de carne, gordura e até ossos que iriam para o lixo viram ração para outros animais no ES
Restos de carne, gordura e até ossos que iriam para o lixo viram ração para outros animais no ES (Foto: Reprodução)

Restos de carne se transformam em alimentos para animais em fazendas no ES O que para muitos é considerado apenas descarte, para o setor de reciclagem animal é matéria-prima valiosa. Diariamente, toneladas de resíduos de carne, gordura e ossos que não servem para o consumo humano são transformadas em ingredientes essenciais para a fabricação de rações agrícolas no Espírito Santo. E esse ciclo de reaproveitamento conecta diretamente uma indústria de processamento em Fundão, na Região Metropolitana de Vitória, à produtividade de granjas em Santa Maria de Jetibá, na Região Serrana do estado. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Na granja da avicultora Jerusa Sthur, quase 100 mil galinhas produzem cerca de 2,7 milhões de ovos por mês. A produção é vendida diretamente para estados como Minas Gerais e Rio de Janeiro. Para garantir a qualidade final dos ovos, as galinhas recebem alimentação que é reposta oito vezes ao dia. Isso tudo para que alimento não falte e a ração esteja sempre à disposição dos animais. "Eu comparo com a gente, né? Se a gente tiver uma boa alimentação, a gente tem uma boa saúde. A galinha é a mesma coisa. Se ela tiver uma uma ração de qualidade, uma ração boa, ela vai dar os frutos que precisa dar", explicou Jerusa. LEIA TAMBÉM: Uvas crescem em meio aos cafezais no calor e viram de suco a biscoitos no Norte do ES Pimenta-do-reino na cocada? Doce de sabor inusitado vira fonte de renda para produtores Vacas escutam de forró a música clássica e produzem mais leite em fazenda; veja VÍDEO Carne, ossos e gordura que iriam para o lixo se transformam em ração e alimentos para outros animais no Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta De resíduo a matéria-prima E para manter uma ração de boa qualidade, o processo começa bem longe das granjas, no município de Fundão. Lá funciona uma indústria responsável por processar cerca de 350 toneladas diárias de subprodutos animais, que transforma resíduo em matéria-prima. Todos os dias pela manhã, dezenas de veículos saem da fábrica para realizar a coleta em frigoríficos, abatedouros e casas de carne de todos os 78 municípios do Espírito Santo. O material recolhido e direcionado para processamento é composto por pele, ossos, vísceras e gorduras — partes que não são aproveitadas para o consumo humano. O processo de transformação na indústria é rigoroso: Triagem e Trituração: Logo depois da triagem, a matéria-prima segue para o triturador, onde os resíduos são transformados em uma massa homogênea. Cozimento: Essa massa é então encaminhada para o cozimento em altas temperaturas. Prensagem e Separação: Em seguida, o material passa pela separação entre a parte sólida e a líquida. Os sólidos são prensados e dão origem à farinha, enquanto a gordura líquida segue para outro setor, onde é classificada e filtrada antes do armazenamento. Nutrição biodisponível O gerente de qualidade Israel Leandro da Silva acompanha o trabalho e explicou que a farinha produzida a partir de subprodutos do abate é um ingrediente de extrema importância para garantir a qualidade da ração. Ele ressaltou os benefícios de se utilizar uma matéria-prima oriunda do próprio organismo animal: "É um produto mais biodisponível pro animal, porque ele é oriundo do próprio organismo do animal e possui também grande quantidade de proteína bruta, de aminoácidos essenciais, que são importantes para cada tipo de função no organismo do animal”, destacou o especialista. Farinha produzida a partir de subprodutos do abate passa por controle de qualidade Reprodução/TV Gazeta Ele apontou, ainda, que a gordura extraída (sebo e óleo) também desempenha um papel fundamental na nutrição animal, funcionando como um excelente palatabilizante. Ela confere o sabor e o gosto ideais que atraem o apetite do animal para o consumo da ração. O excedente dessa gordura é direcionado para outros tipos de indústrias, principalmente a química, servindo como base para a fabricação de biodiesel, sabão, produtos de higiene e limpeza, além de cosméticos como cremes e maquiagens. Controle de qualidade rigoroso em laboratório Antes de saírem da indústria em Fundão, os produtos passam por um laboratório interno para garantir a segurança alimentar. Amostras dos três tipos de farinha produzidas são analisadas por um equipamento de alta tecnologia conhecido como NIR. Já para o sebo bovino e o óleo de vísceras, os testes químicos avaliam principalmente a acidez do material. A técnica de laboratório da indústria reforça o rigor técnico aplicado em cada lote vendido: "Nosso laboratório analisa todos os produtos aqui da fábrica, seja os três tipos de farinha, o sebo bovino e o óleo de vísceras [...] a análise principal que a gente realiza tanto no sebo quanto no óleo é a análise de acidez. Essas análises são muito importantes, pois aqui a gente trata de qualidade, vender um produto de qualidade", explicou a analista Isabella Xavier. Uma receita de ração para cada fase da vida Depois de passar por todas as etapas de controle, a farinha e a gordura seguem para as fábricas de ração de diversas regiões. Na granja em Santa Maria de Jetibá, esses ingredientes são combinados ao milho (que fornece energia), à soja e ao calcário (responsável pela casca dos ovos). A farinha entra justamente para auxiliar no fortalecimento da estrutura óssea da galinha e na perfeita formação da casca dos ovos. O gerente da granja explicou que a formulação da ração não é única. Ela acompanha o desenvolvimento biológico das aves por meio de "receitas" específicas para cada fase, desde o nascimento até a fase adulta de postura: "No início, a gente precisa fazer com que o pintinho ele se desenvolva. Ele precisa ganhar carcaça, massa muscular, ele precisa crescer para ter uma uma vida útil maior depois para produção de ovos. E à medida que vai passando as fases, a idade da galinha, a gente vai alterando os produtos. Quanto mais qualidade, maior o rendimento na produção", destacou Ereneu Schiliwer. À medida que as galinhas envelhecem, a fórmula é alterada para garantir o máximo rendimento produtivo no campo. Ao final, o que começou como descarte inevitável da cadeia de carne nos frigoríficos retorna ao campo em forma de alimento de alta qualidade, fechando um ciclo de produtividade no Espírito Santo. Farinha produzida com resíduos de carne, gordura e ossos é usada como alimentação para galinhas em granja no Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

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